quinta-feira, dezembro 04, 2003

Eneade de Heliópolis

Na Eneada Heliopolitana se encontra toda a elaboração de uma Criação intelectualizada, todo um misticismo voltado para os fenômenos físicos e cósmicos, e certamente, a verdadeira teologia oficial do Império, que nunca foi totalmente eclipsada pelas outras doutrinas, e cuja origem se perde na antiguidade dos tempos prédinásticos.
Essa teologia é eminentemente cósmica e solar, tendo contribuído com sua influência as idéias renovadoras e a própria revolução político - religiosa do faraó Akhenaton.
Assim descrevia a Doutrina Heliopolitana a formação do universo, e sua analogia com a Gênesis bíblica demonstra claramente que os hebreus nela beberam a essência de sua religião:
No inicio nada havia, nada existia. Tudo era trevas e escuridão. No entanto, todas as coisas estavam criadas, mas nada tinha forma e nem se tomava conhecimento umas das outras, pois não havia como distinguí-las e não existia luz. Tudo estava pois confundido, latente, em estado de inércia. Nesse abismo cósmico onde o germe potencial de tudo ocultava-se latente, uma força se movia, informe, sozinha. 0 egípcio chamava a esse cáos de NUN, ou "nada", o Vazio, as "águas abissais". Esse NUN simbolizava a pró-matéria, o elemento primeiro, onde tudo estava atirado e confundido, desordenadamente, em estado de inércia.
Contudo, nesse "nada", ATOM ( ou TEM, TWM, TOMW ), o " Deus que se fez à si mesmo", desejoso de manifestar-se, emergiu do NUN em seu primeiro desdobramento. Colocando-se acima das águas, fez emergir a Colina Primordial, ordenando os elementos e chamando à si a Luz, através de uma formidável explosão, e surgiu RA, o Sol. ATOM é o universo em abstração, RA é a realidade visível desse universo. ATOM-RA é o Grande Demiurgo, do qual irá originar-se o Cosmos. Os textos explicam que ATOM era informe, macho e fêmea, abrigando em si os dois princípios opostos e que seriam separados no ato da Criação.
Assim, ATOM-RA são Dois em Um. Atom é a emissão do Verbo e Rá, sua realização. Atom é chamado nos textos egípcios de "Aquele dos Milhões de Anos" e corresponde ao AIN-SOFH, ou o "Antigo de Dias" da Cabala Hebraica. Rá é a sua manifestação na Luz, cujo símbolo visível é o sol físico. Atom-RA poderia ser interpretado, mais ou menos, como "o Princípio Imanifesto manifestado na Luz". Uma vez criada a Luz, os elementos primordiais se organizam. Rá, o Sol ("Aquele que viu a realização do seu Verbo"), irá originar dois casais divinos: Shu e Tefnut.
Assim, a Eneada Heliopolitana não só explicava a Gênese, como também trazia um ensinamento profundamente espiritual. 0 Princípio Uno se desdobrava, do macro ao micro, sua síntese, preconizando o que mais tarde seria dito por outras religiões: o homem é criado à imagem e semelhança de Deus.
Os textos dos sarcófagos, nos ensinam que Atom- Rá diz: "Eu sou Um tornado dois, eu sou dois tornado quatro, eu sou quatro tornado oito, mas eu sou Um". E os textos das pirâmides, falando de Atom-Rá, dizem: "Quando Eu estava sozinho no Nun, e não possuía um apoio onde me firmar, eu desejei em meu coração que as coisas viessem à existência: então eu criei meu filho Shu e minha filha Tefnut, e criei miríades de estrelas". E de Osíris é dito que ele é o herdeiro de Geb e filho de Rá. E que sua alma renascida se encontra com a de Rá em Djedw, e se tornam um só. E o próprio Hórus afirma: Eu sou aquele que percorre milhões de anos, o que equivale dizer: sou eterno. Desta forma, podemos ver a profundidade filosófica que os ensinamentos de Heliópolis buscavam transmitir. E percebemos nela, a grandeza do pensamento religioso egípcio, que via em todo o universo, em toda a Criação, a manifestação de uma única força, um único princípio, se desdobrando, criando, destruindo e se renovando eternamente.

O Deus Shu e a Deusa Tefnut
SHU simboliza o ar atmosférico, princípio de expansão. Sua esposa TEFNUT é a umidade contida no próprio Shu, e é princípio de limitação. Daí ser o emblema de SHU uma pluma e o de TEFNUT, um cesto, símbolos dos elementos cósmicos dispersos sendo limitados, ajustados para uma realização. Diz a lenda que Atom-Ra concebeu SHU e TEFNUT masturbando-se, ou cuspindo-os. Shu e Tefnut são dois leões, duas auroras, uma aurora macho e uma aurora fêmea, colocados por tráz do trono de Rá. Esta metáfora traduz a idéia de que eles formam o princípio da Criação, a aurora cósmica, o céu superior, os gazes e elementos do ar acima da atmosfera, em expansão e contração, procedendo à elaboração da matéria. ( Gênesis: "contudo a terra era informe e vazia, e as águas de cima não estavam separadas das águas de baixo"). Uma vez tendo SHU e TEFNUT se organizado, eles se uniram e deram nascimento ao céu e à terra.

O Deus Geb e a Deusa Nut
0 deus GEB simboliza a terra e NUT, o céu. Quando os dois nasceram, Shu percebeu que estavam unidos em cópula e, ciumento, elevou sua filha NUT, sustentando-a em seus braços, pisando o filho GEB, separando assim o céu da terra. NUT simboliza o céu atmosférico, onde o ar puro e perfeitamente ordenado, filtra os raios solares e cósmicos, para que os mesmos atinjam a terra em ordenação perfeita para que esta produza, pois do contrário, a terra seria devastada. Por isso, entre Geb e Nut, está colocado Shu, o ar. 0 deus GEB é a terra, elemento distinto, pronto a produzir seus frutos. Mas estando Shu entre eles, GEB e NUT não podiam se unir e conceber ( Gênesis: "… e separou Deus as águas superiores das águas inferiores e a terra ficou enxuta") . Foi então o deus TOTH ( instruído por Rá ) e jogou xadrez com a lua, subtraindo do tabuleiro 5 peças, com as quais formou os 5 dias complementares ou hepagômenos, do calendário egípcio. Nesses dias, Geb e Nut puderam se encontrar e deram origem aos seus 4 filhos: OSIRIS, ISIS, SETH e NEFTIS.
Isto significa, que estando a terra árida, e não havendo condições dela produzir ( a atmosfera era densa, os elementos nela contidos não permitiam à luz solar chegar à terra ), a obra da Criação resultava incompleta, o processo divino tornava-se falho, e os objetivos divinos ficavam assim impedidos de manifestarem-se. Daí o deus Toth, como elemento mediador ( a Sabedoria Suprema ), aparecer para executar os desígnios do Criador: ganhando tempo, dissipando a atmosfera opressiva ( Shu entre Geb e Nut ), dava condições à que o processo evolutivo se desenvolvesse. Da união de Geb e Nut, nasceram os 4 deuses, tendo dois se originado do princípio de expansão ( Ísis e Osíris ); e dois do princípio de limitação ( Seth e Néftis).

Seth e Neftis
Seth representa o raio, o fogo, a tempestade, o vento seco do deserto, a força antagônica diametralmente oposta a Osíris . Seu hieróglifo é um animal estranho, e um tijolo vermelho. Isto porque Seth é a força que mantém a matéria coesa, unida, ligada. Ele representa a força que une os elementos e os fixa, tornando a matéria bruta e manifestada, e simboliza o temperamento, as paixões. 0 mito de Osíris morto por seu irmão Seth, traduz a simbologia do espírito aprisionado na matéria. Néftis, é irmã de Seth, e seu complemento. Seu nome se diz hieroglificamente NEB.HUT, isto é, a "Senhora da Casa".
Ou "Senhora do Templo". Néftis representa assim o corpo carnal, o "templo" material onde o espírito deve sofrer e vencer as paixões inferiores, para retornar ao Pai. Ela e Seth, representam as forças que mantém os átomos ligados, que unem a matéria e a prende, dando condição de que as formas assim venham à existência física. 0 mito Osiriano, neste aspecto, encerra a idéia filosófica de que o espírito encarnado deverá se aprimorar para renascer como alma purificada. A síntese se faz em HÓRUS, filho de Isís e Osíris, vingador do pai morto, alma renascida para a Luz.
Assim, a Eneada Heliopolitana não só explicava a Gênese, como também trazia um ensinamento profundamente espiritual. 0 Princípio Uno se desdobrava, do macro ao micro, sua síntese, preconizando o que mais tarde seria dito por outras religiões: o homem é criado à imagem e semelhança de Deus.
Os textos dos sarcófagos, nos ensinam que Atom-Rá diz: "Eu sou Um tornado dois, eu sou dois tornado quatro, eu sou quatro tornado oito, mas eu sou Um". E os textos das pirâmides, falando de Atom-Rá, dizem: "Quando Eu estava sozinho no Nun, e não possuía um apoio onde me firmar, eu desejei em meu coração que as coisas viessem à existência: então eu criei meu filho Shu e minha filha Tefnut, e criei miríades de estrelas". E de Osíris é dito que ele é o herdeiro de Geb e filho de Rá. E que sua alma renascida se encontra com a de Rá em Djedw, e se tornam um só. E o próprio Hórus afirma: Eu sou aquele que percorre milhões de anos, o que equivale dizer: sou eterno. Desta forma, podemos ver a profundidade filosófica que os ensinamentos de Heliópolis buscavam transmitir. E percebemos nela, a grandeza do pensamento religioso egípcio, que via em todo o universo, em toda a Criação, a manifestação de uma única força, um único princípio, se desdobrando, criando, destruindo e se renovando eternamente.

Shu
O ar, a atmosfera, segundo a Eneada Heliopolitana. Shu é uma aurora, um leão, sua representação é a de um homem com uma pluma sobre a cabeça.
Segundo o Mito, ele foi cuspido por Rá, ou saído do sêmem do deus, o que evidencia ser ele um "fluído", algo imaterial e abstrato agindo sob a vontade do Criador. Seu nome, proveniente da raíz "cuspir", "escarrar", ou também "ejacular", poderia ser o "Cuspido", ou "o Gerado pela Masturbação".

Tefnut
Uma mulher, às vezes com cabeça de leoa, usando na cabeça o disco solar e a serpente Uraeus. Uma leoa. Deusa que personificava a umidade e as nuvens. Filha de Rá. Irmã e esposa de Shu, formava com ele o primeiro par de divindades da enéade de Heliópolis. Mãe de Geb e Nut e avó de Osíris, Ísis, Seth e Néftis.

Geb

Ser divino, personificação da terra e esposo de Nut, o céu, separado dela por Shw, a atmosfera. Geb representa a concretização material, a vida concreta. É denominado Filho de Rá e Pai dos Homens. Conforme os mitos, Geb reinou sobre a terra e faraó é seu herdeiro. É um deus associado à Eneada Heliopolitana e seu símbolo é um ganso.

Nut
É a mais antiga deusa citada pelos textos, a protetora do Baixo Egito bem antes da unificação do país. A Deusa celestial geralmente aparece como uma Vaca. Seu nome significa simplesmente "a Deusa". Venerada principalmente em Sais, no Delta, ela é representada como uma mulher que usa a coroa vermelha do Baixo Egito. Seu nome se escreve com duas flechas ou dois arcos, o que a designa bem como uma deusa guerreira. Também é protetora, com Duramulef, do vaso canopo do estômago, ela parece ser uma divindade que basta a si própria, um dos raros princípios criadores femininos entre os deuses egípcios.

Ísis
Deusa dos mistérios, da magia, é a grande deusa venerada em todo o Egito. Modelo de esposa e mãe, ela é o poder fecundante da natureza, a Mãe Universal. Seus aspectos são tão diversos, que nela se fundem todas as deusas do Egito.

SETH
Irmão de Osíris, assassinou-o e se apoderou do trono do Egito. A querela para dar à Hórus filho de Osíris a posse legítima do reino, durou 80 anos e dividiu a opinião dos deuses. Vencido, Seth herdou o deserto, onde reina. Deus dos raios e tempestades, ele simboliza a matéria bruta e a ira no temperamento humano. Somente em épocas tardias foi considerado um deus do mal e demônio. Interessante notar que o aumentativo de Seth em árabe é Shaton, originando a palavra Satã. Seus animais são o asno, o porco, o javali, o burro, mais especificamente aqueles de pelagem avermelhada.

Neftis
Neftis é um dos filhos de Geb e de Nut, a irmã de Isis, Osíris e Seth. É esposa deste último, mas quando ele trai e assassina Osíris ela permanece solidária à Isis, ajudando-a a reunir os membros espalhados do defunto e também tomando a forma de um milhafre para velá-lo e chorá-lo. Como Isis, ela protege os sarcófagos e um dos vasos canopos e usa seu nome na cabeça: um cesto colocado em um edifício. É ainda na campanha de Isis que ela acolhe o sol nascente e o defende contra a terrível serpente Apófis.

HÓRUS, FILHO DE ÍSIS E OSÍRIS

Também se conta, em outros relatos sagrados, que a arca tinha saído para o mar quando Ísis chegou à foz do Nilo, e só terminou a sua viagem na muito longínqua costa da Fenícia, indo de encontro a um tronco que crescia à beira do Mediterrâneo, muito próximo da cidade de Biblos.
A árvore, milagrosamente, cresceu num instante, englobando o féretro flutuante no seu tronco para dar-lhe o último abrigo. Movido pelo destino, o rei de Biblos viu aquela gigantesca árvore e mandou cortar o seu tronco e com ele ordenou construir uma coluna para o seu palácio. Mas Ísis soube também do portentoso fato e empreendeu a viagem até chegar à cidade de Biblos, onde pediu ser recebida pelo rei, para fazer-lhe saber a razão da sua penosa expedição. O rei ouviu o relato da rainha e ordenou imediatamente que lhe fosse devolvido o caixão onde repousavam as restos mortais do bom Osiris.
Concedido o seu desejo e com o caixão em seu poder, regressou sigilosamente para o Egito, não sem antes tentar ocultar o cadáver do infeliz esposo da maldade de Seth. Mas Seth, senhor da noite e das trevas, deu com ele e voltou a tentar terminar com a ameaça que Osiris representava, fazendo com que os seus restos fossem dispersos por todo o imenso e intransitável delta do grande rio.
De novo Ísis empreendeu a procura dos restos de Osiris nos pântanos do Nilo e, um a um, reuniu outra vez o cadáver. Quando os conseguiu, tomou a forma de uma grande ave de presa e pousou-se sobre os despojos, batendo as suas asas até que com o seu ar benfeitor insuflou uma vida renovada em Osiris. O esposo ressuscitado tomou-a e a boa Ísis ficou grávida de Hórus, o filho que teria de vingar o pai assassinado e restauraria a ordem divina no Egito. Mas, enquanto chegava o momento do nascimento de Hórus, Ísis ocultou-se de Seth nos pantanosos terrenos do delta do Nilo.

A VINGANÇA DE HÓRUS
hORUSOsiris retornou ao reino dos mortos, mas já tinha deixado a sua semente em Ísis e dela nasceu felizmente Hórus em Jenis. Com a presença devota da sua mãe foi educado no maior dos segredos, preparando-se com esmero e paciência o sucessor do rei assassinado no seu esconderijo do Delta, enquanto a mágica Ísis o cobria com a impenetrável couraça dos seus conjuros, esperando até que chegasse a hora da vingança definitiva.
E esta hora chegou, mas a luta entre Seth e Hórus seria longa e angustiosa; uma briga que aparecia não ter fim, na qual um e outro infringiam tanto mal como o que recebiam do seu adversário. Tão penoso era o combate que Toth, o deus da Lua e a divindade da ordem e a inteligência, se apiedou dos combatentes e interveio para mediar na disputa, levando a ambos perante o tribunal dos deuses e fazendo comparecer também Osiris, para que todos pudessem ouvir as razões de um e dos outros. O tribunal sentencia que, na causa entre Seth e Osiris, seja Osiris quem recupere o reino que teve em vida, e acrescenta à sua coroa a parte do país que originalmente correspondeu ao seu irmão e assassino. Na longa e controversa vista da briga entre Seth e Hórus, que durou nada menos que oitenta anos, os juizes celestiais terminaram por sentenciar o pleito sobre os direitos sucessórios a favor de Hórus. O filho póstumo de Osiris recuperava o que correspondia pela sua linhagem: a sucessão no trono de Egito. Assim, o filho era reconhecido pela divindade como soberano indiscutível, dentro da tradição clássica que adjudicava.

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Sonhos

Por que o caminho dos sonhos?
Saber mais a respeito de si mesmo. Querer saber quem são para poderem ser quem são. Experiência subjetiva ou Experiência Interior. Através dos sonhos alcança-se o universo interior. Os sonhos revelam uma profunda relação entre os nossos estudos interiores e exteriores. Uma vez decifrados os sonhos contêm informações importantes sobre a saúde física e mental do indivíduo. O psiquiatra suíço C.G. Jung foi um pioneiro na psique dos sonhos.

O que ele descobriu?
Que os sonhos procuram regular e equilibrar as nossas energias físicas e mentais. Eles não apenas revelam a causa básica da desarmonia interior e da angústia emocional, como também indicam o potencial de vida latente no indivíduo. Apresentam soluções criativas para os problemas diários e idéias inspiradas pelo potencia criativo de vida. Os sonhos nos mostram o que somos realmente. A solução está dentro de nós. Você a encontra em seus sonhos. Eles lhes trarão a resposta. Muitos respondem: "Mas eu não sonho..." Todos nós sonhamos 4 a 5 vezes por noite. Os sonhos sao como pontos que nos ligam a outras áreas de nós mesmos e não sabíamos de sua existência.

Quem é que engendra os sonhos?
Muita gente pensa que os sonhos expressam nossos próprios desejos ou nossos esquemas e traumas. Isso não é verdade. Uma parcela enorme dos nossos sonhos diz coisas que não queremos ouvir. Os sonhos se originam da própria luz. É um fenômeno natural que provém da mesma fonte que uma árvore ou um boi, vaca, pássaro, etc. Quem faz um passarinho cantar? Se você acredita em Deus, dirá: Deus faz o passarinho cantar. De qualquer forma é um poder desconhecido, força misteriosa que criou o boi, a vaca, etc.

Os sonhos possuem uma força superior uma sabedoria e uma perspicácia que nos orientam.
Eles nos mostram em que aspecto estamos enganados e nos alertam a respeito dos perigos, predizem eventos futuros. Aludem ao sentido mais profundo de nossas vidas e nos fornecem insigths reveladores. Veja o que acontece com artistas e cientistas. De onde vieram suas idéias???

A matriz que engendra os sonhos tem sido denominada de guia espiritual interior, ou centro da psique.
Alguns chamam esse centro de Deus, etc. Para um cristão: é cristo interior. Para um budista: é Buda. Temos uma inteligência superior que podemos chamar de guia interior ou centro divino que produz os sonhos cujo objetivo é tornar a vida do indivíduo a melhor possível.

Por que as pessoas não se lembram dos próprios sonhos?
Porque não prestam atenção! Os sonhos rareiam na velhice (após os 80 anos)mas eles reaparecem um pouco antes da morte.

Só uma elite se aprofundará nos sonhos?
Sim. É um assunto complexo e envolve formação profissional e habilidade profissional. O homem comum não pode simplesmente absorve-lo e domina-lo.
Dentre 20 sonhos ininteligíveis aparecem, de vez em quando, sonhos simples que qualquer um pode interpretar. O inconsciente, entre outras coisas, é um grande brincalhão, e às vezes ele fala direto. Ao anotar um sonho você pode logo entende-lo, sabe o que significa.

Em geral não se deve interpretar os próprios sonhos.
Os sonhos costumam tocar o nosso ponto cego. Eles nunca dizem o que já sabemos, mas o que não sabemos. Se a pessoa interpreta o próprio sonho tem a tendência de induzir no sonho aquilo que já sabe. A dificuldade de interpretar nossos próprios sonhos é que não podemos ver nossas próprias costas.
Se as mostrarmos para outra pessoa, esta poderá vê-las; nós não.

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terça-feira, dezembro 02, 2003

Osíris e Íris

Seth governava toda a terra vermelha do Alto Egito. Nestas terras o antílope saltava e, meio a vegetação escassa, cães selvagens percorriam a areia fria sob o clarão da lua lua e javalis revolviam com o focinho, o chão entre as rochas. Ali os homens se agrupavam, banhando-se no sangue vermelho da caça, cobriam a cabeça com peles de animais e se escondiam das rajadas de areia. Seth casou-se com a sua irmã Neftis, mantendo a tradição iniciada pelos seus antecessores divinos. Mas Neftis não ficara satisfeita com o matrimônio, porque ela amava Osiris.
A raiva de Seth afastava-o cada vez mais do conforto da esposa. Ele deixava Néftis muito tempo sozinha. Todas as noites ela entrava furtivamente no jardim do palácio de Ísis e Osíris para ter o consolo de estar perto dos irmãos, para ouvir os belos cantos de Ísis. A cada dia que passava, Néftis procurava tornar-se mais parecida com Ísis. Fazia pequenas tranças em seus cabelos perfurmava-os com óleo de Lótus e a pele com cinabre. Pediu à Heket, a deusa-rã, guardiã das transformações para que todos a confundissem com sua irmã.
Vestida como Ísis, chegou sozinha ao jardim do palácio onde sentou e chorou e bateu no peito. Foi ali que Osíris a encontrou, triste e bela. Confundindo-a com sua irmã e esposa, Osíris deitou-se com ela.
A barriga da deusa Néftis ficou dura e redonda, e para que Seth não desconfiasse de sua gravidez, ela se trancou no quarto e impedia que qualquer um viesse visita-la. Foi então que, certa noite sob a lua cheia, Néftis deixou o palácio e seguiu para o deserto. Lá, agachada entre as rochas, sozinha, em meio aos uivos dos lobos ela deu a luz a um menino. Não pôde, contudo, leva-lo para casa, temendo que Seth matasse a ambos. Assim, deixou o menino no deserto coberto apenas por um cobertor. Pela manhã, ao trazer a bandeija com leite e frutas, a criada notou que a barriga de Néftis estava mole, não ouvindo choro de criança, pererbeu logo o que acontecera. Correu até o rio para avisar Ísis. Embora a criada não o dissesse, Ísis pôde ver a criança em seus olhos, e percebeu que era o filho de Osíris - o único filho de Osíris vivo.
Ísis chamou alguns galgos que, farejando, encontraram a criança. A deusa o banhou no rio e o protegeu com feitiços, levando-o para o palácio e criando-o como se fora seu próprio filho.
Como Ísis não tinha leite, deu a criança para um dos galgos femeas que acabara de dar à luz, para que esta o amamentasse. A criança, que fora chamada Anúbis ("o iniciador do dia"), cresceu forte e com instintos caninos.

A vingança de Seth
Seth continuou remoendo sua raiva e passou boa parte do tempo no deserto reunindo sua tribo de 72 companheiros. Entre eles estava Aso, a rainha da Etiópia, uma bela feiticeira cujos poderes, dizia-se eram tão grandes quanto os de Ísis. Foi Aso que, em sonho, entrou no quarto de Ísis e Osíris e anotou as medidas exatas do corpo do deus-homem.
Nesta época Osíris providenciou uma grande festa em comemoração aos 28 anos de sua chegada ao Egito. Sabendo da festa, Seth elaborou um plano. Modelou uma bela caixa de cedro do tamanho e formato de um homem, revestiu-a com folhas de ouro e a enfeitou com pedras de turquesa.
Em meio à comemoração, chegaram Seth e seus 72 companheiros vestidos com peles de animais, enquanto todos bebiam e dançavam no palácio, Seth trouxe seu presente e anunciou que, a caixa seria dada à quem coubesse deitado dentro dela. Os convidados provaram a caixa, um a um, mas nenhum dava o tamanho adequado, - Todos eram menores que a caixa - de maneira que chegou a vez de Osiris e ele sim, preenchia completamente o buraco da caixa, visto que Seth já a havia confeccionado com as medidas exatas obtidas por Aso.
Os 72 conspiradores correram em direção do esquife, fecharam a tampa e a pregaram; depois soldaram as beiradas com chumbo derretido. Osíris gritou e se debateu para sair, mas sem resultado. Depois lançaram o rei, em seu esquife, ao Nilo e o rio arrastou a caixa e a sua carga para o mar.

A busca de Ísis
Ísis saiu em perseguição do baú por vários meses e, suja e rasgada da dura jornada que a fez atravessar vários países, chegou finalmente a Biblos, na costa da Síria, onde se dizia que o esquife se desviara para a terra. Lá lhe contaram que, quando o caixão tocou a terra pela primeira vez, subitamente brotou uma tamargueira que prendeu em seu tronco a arca. Já dentreo do caixão, agora na árvore, Osíris estava duplamente aprisionado.
Ísis, então, foi a procura da árvore. Vários dias se passaram até que ela o encontrou e ali ficou em vigilha.
Por fim, Melcader, um rei sírio, e seu exército passaram por ali. O rei admirou tanto a altura e a largura e o vigor da árvore que decidiu por derruba-la e transforma-la em uma coluna central de seu palácio. De nada adiantaram os gritos de Ísis, os soldados do rei afastaram-na e derrubaram a árvore levando-a com eles.
Ísis, porém, seguiu o rastro do veículo e chegou, depois de caminhar por várias semanas, e por fim, chegou ao palácio. Quando Ísis viu a coluna central do palácio, ergeu suas longas asas e mostrou sua verdadeira face de deusa para o rei Melcader e a rainha Astarte. Comovidos com a história que Ísis lhe contara e com o sofrimento que passara, os reis Melcader e Astarte derrubarama coluna e cortaram a madeira que envolvia o caixão. Em retribuição Ísis passou um tempo na casa dos reis para cuidar de seus filhos e lançar-lhes feitiços de proteção e de cura.
Os filhos e filhas do rei e da rainha siria tanto se apegaram a deusa que, quando ela partiu, o filho mais velho do casal real, Maneros, partiu com Ísis em sua longa jornada de volta ao Egito.
Depois de muito tempo no mar, finalmente o barco com Ísis chegou ao Egito (em Abidos, terra dos mortos). Maneros, filho mais velho de Melcader, não resistiu a viagem e morreu sem nunca pisar nas terras de Ísis, sua amada.
Abrindo o caixão, Ísis dançava e chorava lamentando a morte do irmão, do amado, do marido. Enquanto dançava e cantava seus cantos de amor, os grandes portões do Céu se abrirram, e as estrelas circulantes giraram tecendo um novo destino para Osíris, fazendo para ele uma nova coroa de rei.
Os deuses comovidos ressusitaram Osíris que deitou-se por mais uma noite com sua amada. Seu corpo, porém, ainda fraco pela morte sofrida, não era mais como antes e por isso Ísis escondeu o corpo fraco do irmão em um emanharado de rochas, um labirinto de pedras brancas. Então deixou-o ali apenas por uma noite e apressou-se em procurar Anúbis e Néftis para ajuda-la a Salvar Osíris.
Seth, senhor da noite e das trevas, caçava javalis por perto de Abidos sob a luz do luar. Armado de Arco e flechas e com sua inseparavél adaga, Seth aguçou a audição e farejou o vento. Setiu um odor familiar e foi conferir o que era e logo chegou ao local onde Osíris estava guardado.
Furioso o deus Seth golpeou, com sua adaga, várias vezes o corpo do irmão, separou a cabeça do corpo. Cortou fora os braços, as pernas e o pênis. Arrancou um por um os ossos das costas. Esquartejou o irmão como um animal morto e enfiou os pedaços num saco e atirou nas águas do Nilo.
Sentindo o cheiro da morte, Anúbis avisou Ísis e Néftis e, juntos, correram até o rio. Ali, nas margem do Nilo, em Abidos, as deusas avistaram a cabeça cortada de Osíris.
Ísis, no entanto, não estava disposta e entregar seu amadi irmão à morte mais uma vez, pois ela já sabia estar grávida e queria que Osíris também o soubesse. Numa caverna próxima, Ela Anúbis e Néftis esconderam a cabeça de Osíris e decidiram que, juntos, iriam percorrer todo o Nilo, desde o Alto Egito até o Mar, à procura dos pedaços do deus morto, para que pudessem faze-lo reviver novamente. Porém seria impossível reunir todas as partes do Corpo de Osíris. Um peixe, vendo o pênis do deus boiar sob as águas azuis do Nilo, abocanhou o órgão gerador de Osíris e mergulhou para o fundo do rio. Sobeck, o deus crocodilo, viu tudo, e para proteger as deusas na jornada infrutívera, seguiu a embarcação que era guiada por Anúbis. Em cada cidade onde eram encontradas partes de Osíris, eram erguidos grandes templos em sua homenagem, Assim Ísis protegia os fragmentos do marido e confundia Seth, pois esse acreditava que Ísis deixara os pedaços em algum lugar dentro dos templos.
Quando finalmente todas as partes de Osíris, exceto o falo, foram encontradas, Ísis, Néftis e Anúbis voltaram para Abidos. o deus Toth foi o único a ve-los deixar o barco e entrar na caverna onde jazia a cabeça de Osíris, ele, comovido, desceu até a Terra e juntou-se ao grupo na empreitada de ressuscitar o seu irmão, qual ele mesmo ajudou a nascer.
Como o peixe engolira o pênis de Osíris, Ísis fez outro de cedro e ouro, e dizendo palavras de poder, a deusa tentou ressuscita-lo. Não adiantou. Toth, o deus escriba, senhor da inteligencia, o deus lua, chamou Anúbis para ajudá-lo em sua tarefa: juntaram tiras de linho, encheram Osíris de flores e óleos, amarraram as tiras e ataram com cordões. Osíris fora aniquilado e agora duma vez. Osíris agora iria reinar o reino dos mortos e ali lutaria contra Apófis.

Ísis Aprisionada
Certa manhã, quando Ísis e Néftis ofereciam pão ao Ka (a alma que cria e preserva a vida) de Osíris, foram capturadas pelos homens de Seth e amarradas como escravas. Seth levou Ísis para uma caverna escura e ali a trancou, ao seu lado colocou uma roca e novelos de linho, deu-lhe um cadável como marido e obrigou-a a trabalhar dia e noite, fiando e costurando, sem descanso. A lua no céu crescia e minguava, e a barriga de Ísis ficava cada dia mais redonda.
Toth, que também conhecia o tempo, começou a se preocupar com o aprisionamento da irmã e, com o propósito de liberta-la, enfiou sua esposa Seshat (deusa que registra o destino dos humanos) e Maát (deusa da verdade e justiça) disfarçadas de tecelãs. Num gesto abrirram passagem para vários escorpiões que, com suas tenazes cortaram as cordas que amarravam a deusa. Aqueles que tentaram detê-la, os escorpiões matavam com picadas fatais, os capagas de Seth morreram um a um cor a dor do veneno.
Ísis caminhou do planalto arenoso até o delta e caindo em meio a touceira de papiro foi parteira de si mesma. Nascia Hórus, o menino dourado, o deus falcão.
Com a presença devota da sua mãe, Hórus, foi educado no maior dos segredos, preparando-se com esmero e paciência. Porém, o sucessor do rei assassinado, ficou com Ísis apenas nos seus primeiros cinco anos de vida. Abendo que não podia ficar no Delta, pois Seth já sabia do nascimento de Hórus, Ísis, como mãe propetora, partiu para os confins do Egito deixando seu filho aos cuidados da deusa-naja Renenutet. Assim Seth nunca encontraria o filho de Osíris, pois chamais acreditaria que uma mãe tão devotada como Ísis deixaria seu filho aos cuidados que outra pessoa ou deus.

Osíris
O deus supremo do Egito; filho de Seb (saturno), fogo celeste, e de Neith, matéria primordial e espaço infinito. Isso o apresenta como o Deus existente por si mesmo e auto-criado, a primeira divindade manifestada (nosso terceiro logos), idêntico a Ahura Mazda e outras "Primeiras Causas" .
Assim como Ahura Mazda é uno com os Amshapends, ou a síntese deles, Osíris, a Unidade Coletiva, quando diferenciada e personificada, converte-se em Tífon, seu irmão, Ísis e Neftis, suas irmãs, Hórus, seu filho, e seus outros aspectos.
Os quatro aspectos principais de Osíris eram: Osíris Ftah (Luz), o aspecto espiritual; Osíris-Hórus (Mente), o aspecto intelectual monástico; Osíris-Lunus, o aspecto "lunar" ou psíquico ou astral; Osíris-Tífon, o aspecto demoníaco ou físico, material, e por conseguinte passional, turbulento. Nestes quatro aspectos, Osíris simboliza o Ego dual, isto é, o divino e o humano, o cósmico-espiritual e o terrestre.
Dos numerosos deuses supremos, este conceito egípcio é o maior e mais significativo, pois abrange todo o campo do pensamento físico e metafísico.
Como divindade solar, tem sob si doze deuses menores, os doze signos do Zodíaco. Embora seu nome seja "O Inefável", cada um de seus quarenta e dois atributos tinham seu nome e seus sete aspectos duais completavam o numero 49, ou seja, 7 x 7; os primeiros são simbolizados pelos quatorze membros do seu corpo ou duas vezes sete.
Assim, o deus está fundido no homem e o homem é "deificado" ou convertido em um deus.
De um ponto de vista mais elevado, Osíris é a própria Divindade, o Deus "cujo nome é desconhecido", o senhor que está sobre todas as coisas, o Criador, o Senhor da Eternidade, o "Único", cuja a manifestação material é o Sol e cuja manifestação moral é o bem.


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posted by Padre at 1:27 PM